Revelação

História tal como foi revelada à mãe Marie Louise de Jesus


A minha cara irmã”, revelou-lhe a Santa, “sou a filha de um príncipe que governava um pequeno Estado da Grécia. A minha mãe era também de sangue real. Como estavam sem crianças e ambos ainda idólatras, para obter, ofereciam continuamente orações e sacrifícios aos seus falsos deuses. Um doutor romano, nomeado Publius, que é agora um santo no Paraíso embora não tenha sofrido como o mártir, vivia no palácio em serviço do meu pai. Professava o cristianismo. Vendo a aflição dos meus pais, comovido e sob o impulso do Espírito Santo, falou-lhes da nossa fé e assegurou-lhes que as suas orações seriam entendidas se abraçassem a religião cristã. A graça que acompanhava as suas palavras tocou o seu coração e iluminou o seus espíritos. Finalmente, depois de demorada reflexão, receberam o sacramento do batismo.

Nasci no início do ano seguinte, um 10 de Janeiro, e no meu nascimento, deram-me o nome de Lumena, ou Luz, porque tinha nascido em razão da Fé à qual os meus pais agora ardentemente eram devotados. No dia do meu batismo, nomearam-me "Filomena, ou seja "Amiga da luz" que iluminava a minha alma pela graça deste sacramento. A Divina Providência permitiu que no epitáfio sobre o meu sarcófago fosse explicado este sentido, embora os intérpretes ignorem que era exatamente o pensamento dos que o escreveram.

A afeição que os meus pais tinham mim era tão grande que queriam sempre ter-me perto deles. É por esta razão que me conduziram a Roma com eles por ocasião de uma viagem que o meu pai devia fazer em razão de uma guerra injusta que estava sendo ameaçado pelo arrogante pelo Diocleciano. Estava eu ao  do fim dos meus treze anos. Chegados na capital do mundo, fomos ao palácio do imperador onde fomos recebidos em uma audiência.


Qual maravilha! Unico o destino! Quem teria podido adivinhar o meu? Enquanto o meu pai defendia a sua causa com ardor e procurava justificar-se, o Imperador não me tirava os olhos e no fim replicou: "A cessação do tormento; podeis ficar perfeitamente tranqüilizados; não tem mais razão de preocupar-se. Em vez atacá-los, porei todas as forças do Império à vossa disposição na condição de me darem a mão da tua filha, a linda Filomena."

Os meus pais cederam ao seu pedido e, de regresso me procuraram convencer que eu ia ser feliz como Imperatriz de Roma. Rejeitei a sua oferta sem nenhuma hesitação dizendo-lhes que me tinha tornado esposa de Jésus Cristo por um desejo desabrochado quando tinha onze anos. O meu pai esforçou-se então para mostrar que uma criança da minha idade não podia decidir por vontade própria e usou de toda a força da sua autoridade para fazer-me obedecer.

Quando o Imperador recebeu a minha resposta, considerou-o como um simples pretexto para quebrar a promessa que lhe tinha sido feita. "Traga a princesa Filomena", disse ao meu pai, "verei se posso persuadir-la".

“O meu pai veio até mim mas vendo que minha vontade era inquebrantável, ele e a minha mãe lançou-se aos meus pés me implorando. "Minha criança, tenha piedade do teu pai, da tua mãe, do teu país! Tenha piedade do nosso reino!" Não, não, respondi; Deus e minha virgindade que a Ele consagrei estão acima de tudo; antes de vocês, antes do meu país! O meu reino, é o Céu.

As minhas palavras os mergulharam no desespero e eles tiveram que me levar diante do Imperador que, por seu lado, fez de tudo ao seu poder para convencer-me. Mas as suas promessas, as suas seduções, as suas ameaças foram igualmente vãs. Então foi aprisionado de um violento acesso de cólera e, influenciado pelo demônio da impureza, fez-me lançar nas prisões do seu palácio onde me acorrentou.

Crendo que a dor e a vergonha enfraqueceriam a coragem que o meu divino Cônjuge inspirava-me, veio ver-me cada dia; seguidamente, após ter retirado as minhas correntes para permitir-me tomar uma pequena porção de pão e água que recebia como alimento, renovou os seus ataques que alguns, sem a graça de Deus, teria sido fatal à minha pureza.

Os malogros que continuou encontrar foram para mim o prelúdio de novas torturas, mas a oração apoiava-me. Não cessava de recomendar-me à Jésus e à sua puríssima Mãe. O meu cativeiro durava, então, trinta e sete dias quando, no meio de uma luz celestial, eu vi Maria com o seu divino Filho nos seus braços. "Minha filha", disse-me, "suporta ainda três dias de prisão e, após quarenta dias, você sairá deste estado de dor."

O meu coração batia de alegria ao anúncio desta notícia mas como a Rainha dos anjos tinha acrescentado que deveria deixar esta prisão para suportar, em assustadores tormentos, um combate bem mais terrível que os precedentes, passei imediatamente da alegria à angústia mais cruel; pensei que me matariam. "Coragem, minha criança", disse-me Maria, "não sabe o amor de predileção que lhe tenho? O nome que recebeste no batismo é a sua segurança, pela sua semelhança com o do meu Filho e com o meu. És chamada Lumena ou Luz. O meu Filho, o teu Cônjuge, é chamado Luz, Estrela, Sol. E eu mesma não sou chamada Aurora, Estrela, Plenitude da Luz? Não temas, ajudá-la-ei. É agora a hora da fraqueza humana e da humilhação, mas no momento das provas, receberás graças e forças. Além do teu anjo que te vigia, terás também o meu, o arcanjo Gabriel, cujo nome significa "a força do Senhor". 

"Quando estava na terra, era o meu protetor, eu recomendar-lhe-ei especialmente aos seus cuidados, minha criança bem-querida." Estas palavras da Rainha das virgens voltaram-me a dar coragem e a visão desapareceu deixando a minha prisão cheia de um perfume celestial.

O Imperador, desesperando-se fazer-me aceder aos seus desejos, teve então recursos à tortura para aterrorizar-me e fazer-me quebrar o meu desejo para com o Céu. Ordenou que eu fosse amarrada a um pilar para ser chicoteada sem pena enquanto lançavam-me horríveis blasfêmias.

"Devido a que ela é obstinada à ponto de preferir a um Imperador um malfeitor condenado à morte pelos seus próprios compatriotas", disse ele, “ela merece uma punição adequada”.

O tirano, vendo-me sempre determinada embora estivesse coberta de feridas abertas, ordenou que eu fosse jogada na prisão para morrer dos ferimentos. Eu desejava a morte para me envolver nos braços do meu Cônjuge quando dois anjos brilhantes apareceram e verteram um bálsamo celestial sobre as minhas feridas e fui curada. No dia seguinte de manhã, o Imperador foi surpreendido ao saber da notícia. Vendo-me mais forte e mais bonita que nunca, empreendeu convencer-me que devia este favor à Júpiter, que me destinava à coroa imperial.

Sob a inspiração do Santo-Espírito, rejeitei este sofisma e opus-me às suas carícias. Raivoso, ordenou que uma âncora de ferro fosse amarrada ao meu pescoço e que fosse jogada ao Rio Tibre. Mas Jesus, para mostrar o Seu poder e confundir os falsos deuses, enviou dois anjos para me ajudar. Cortaram a corda e a âncora caiu no rio onde reside enterrada na lama. Em seguida me depositaram sobre a margem do rio sem que uma só  gota de água molhasse os meus vestuários.

Este milagre converteu um grande número de espectadores e Diocleciano, mais obstinadamente tirânico que um Faraó, declarou então, que eu deveria ser uma bruxa e ordenou que fosse transpassada por flechas. Mortalmente ferida e a ponto de morrer, lançou-me de novo na prisão. Em lugar da morte que teria normalmente ocorrido, o Todo Poderoso me fez cair num sono calmo do qual desperto mais bonita que anteriormente. Este novo milagre pôs o Imperador numa fúria tal que deu a ordem de repetir esta tortura até que a morte ocorresse. Mas as flechas recusaram a deixar os arcos. Diocleciano afirmou que era em razão da magia e, esperando que a bruxaria fosse impotente contra o fogo, ordenou que as flechas fossem acesas ao fogo num braseiro. Esta precaução foi inútil. O meu divino Cônjuge salvou-me da tortura voltando as flechas contra os arqueiros, e seis dentre eles foram mortos. 

Este último milagre provocou outras conversões e a multidão começava seriamente a mostrar sinais de descontentamento para com o Imperador, e mesmo reverências à santa Fé.

Por temor de conseqüências mais sérias, o tirano deu a ordem de cortar-me a cabeça. A minha alma, gloriosa e triunfante, se elevou ao Céu onde eu recebi a coroa da virgindade que mereci por tantas vitórias. Era as três da tarde, um 10 de Agosto, de uma Sexta-feira.

Aí está porque Nosso Senhor quis que o meu corpo fosse trazido à Mugnano em um dez de Agosto, e porque realiza tanto milagres nesta ocasião."