Martírio

O Que Significa Ser Mártir

A palavra mártir é comum a todos os povos cristãos e, também significa "testemunho". Através do sangue, ou da vida, o mártir testemunha a sua fé e crença em Deus. Os apóstolos, os cristãos estavam conscientes da sua missão de testemunhas do Nosso Senhor Jesus Cristo, quer pela palavra e ação, quer pelo sangue. O testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo foi pela palavra, pelos seus atos, fatos miraculosos e pelo sangue derramado.

No século II, temos alguns documentos que narram os martírios de São Policarpo (155) e dos mártires de Lion. Desta narrativa, tiramos a conclusão de que ser mártir significa dar o testemunho através da morte. São Policarpo, antes do martírio, agradece a Deus a felicidade de ter sido escolhido para derramar o sangue como Nosso Senhor Jesus Cristo e espera receber o prêmio da vida eterna.


O interrogatório dos cristãos para a condenação à morte era o mais simples possível. O governador, instado pelos gritos do povo que queria a morte dos cristãos, dizia: "És cristão?" - Mediante a resposta afirmativa, a condenação era extrema: "Para a morte!".

Os mártires imitavam Cristo de tal modo que, quando não morriam atacados pelas feras, queimaduras ou outros suplícios, não aceitavam o nome de mártires. Preferiam o nome de confessores da fé e diziam que mártires eram somente aqueles que tinham dado a vida pelo Nosso Senhor Jesus Cristo. Os mártires eram crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos. Também, de qualquer classe social: pobres, ricos, sacerdotes,  ministros, militares, tribunos, reis, imperadores. O bastante era confessar a fé e a sentença do martírio era ditada.

Nosso Senhor Jesus Cristo dizia aos seus apóstolos e seguidores o seguinte:

"Quando fores aos tribunais, não penseis que iríeis responder; meu Pai dirá a vós a resposta certa."

Os mártires não calavam diante dos imperadores. Professavam a fé, cantavam seus cânticos, adoravam a Deus e muitos, dentre o povo, se convertiam, tanta era a coragem dos cristãos.

Ao lado dos mártires, surgiram os perseguidores e as perseguições aos cristãos com tal violência que o seu sangue jorrava abundantemente como semente da Igreja de Cristo.

Origenes tem uma exortação curiosa sobre a natureza dos “demônios do martírio”, como assim ele chamava referindo-se à verdadeira guerra dos cristãos que se negavam a adorar os ídolos e oferecer sacrifícios.

Em resumo, o grande Origenes relata o fato daqueles que ofereciam alimentos aos ídolos, dizendo que estes incorriam nas mesmas penas ou castigos como aqueles que ajudavam aos assassinos e inimigos do Rei, porque ajudavam aos ministros da maldade, mantendo um clima ruim sobre a terra.

Melitão de Sordes diz do imperador Marco Aurélio que o seu império deve muito aos cristãos, quer pelo crescimento, quer pela nobreza. Como se sabe, este imperador incentivou os governadores a perseguirem e reprimirem toda espécie de novidade religiosa capaz de perturbar a mente dos homens, cuja tranqüilidade filosófica interessava ao governante. Debaixo das leis imperiais, este período final do império de Marco Aurélio foi fecundo em perseguições e em mártires para a Igreja.

No século III houve um decreto contra a propaganda religiosa tanto dos judeus quanto dos cristãos.

Do século I ao IV os cristãos conheceram 129 anos de perseguições e 205 anos de tolerância. Em apenas 66 anos houve tranqüilidade. Conseqüentemente o número de mártires surgidos neste período é muito grande.

Por fim, de onde estes mártires tiravam forças para doarem as suas vidas suportando tantos sofrimentos?  Nosso Senhor Jesus Cristo adverte: “Quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Com efeito, de que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma? Pois que pode o homem dar em troca de sua alma? Quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, no meio desta geração adúltera e pecadora, eu também me envergonharei dele, diante de meu Pai (Mc 8,34-37).Acesse  livro eletrônico de Santa Filomena    ...